O que começou com uma inocente, porém letal, faca Ginsu evoluiu para algo que, literalmente, nos atormentará na pós vida. Para quem não lembra das facas Ginsu, isso foi uma alusão ao infomercial dos distantes anos 90, o que criou o espaço necessário para propagandas de 28 aparelhos de abdominais e métodos rápidos de emagrecimento - sendo que a eficácia destes nos tornou o povo mais atlético, forte e saudável do planeta, como se pode ver nas ruas.
Contudo, o infomercial não abriu apenas a ponte entre nosso mundo e as bugigangas alienígenas: a partir dessa mesma época, executivos de grandes corporações concluíram que o espaço na televisão não era o suficiente para "educar" o público, o que levou à criação e ao desenvolvimento do nosso amado telemarketing como o conhecemos.
O que poderia haver depois? Como infernizar ainda mais a vida de pobres cidadãos? Não há mais como. Não há grill, plano telefônico, cinta elástica, pacote de TV à cabo, meia vivarina ou qualquer outro produto que já não tenha sido apresentado. Pensamos, com razão, que já vimos tudo em vida. Entretanto, não podemos vencê-los.
Na tarde do dia 29 de Julho de 2009, em Porto Alegre, tomo conhecimento de um novo e bizarro serviço: uma espécie de tele-velório. É bom todo mundo ler novamente para ter certeza de que entenderam. O tele-velório, pelo que entendi, funciona da seguinte forma: paga-se parcelas mensais, como se fosse um seguro de vida, para que se tenha um funeral pago e, de brinde, ganha três anos de cemitério de graça, na faixa, free.
Após negar educadamente, alegando ser jovem demais para considerar o "investimento", a atendente insiste: "para morrer, basta estar vivo, senhor". Imerso em um dilúvio bizarro vindo da linha telefônica, fiquei atônito, olhando para os lados, imaginando se era a Dona Morte, personagem do Maurício de Souza, do outro lado da linha. Após uma segunda recusa, a atendente despede-se, mas com a entonação entusiasmada de uma brasileira que não desiste nunca (a mesma entonação que manteve durante toda a chamada, diga-se de passagem).
Isso, na verdade, não foi bem um post, mas uma espécie de relato de alguém que, ingenuamente, sempre achou que venceria o telemarketing. Só fico imaginando o "lucro" que essa empresa teria se estivesse oferecendo serviços à força aérea japonesa na segunda guerra.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Tetris & Life
Tu sempre fica ali, esperando "aquela" pedra pra fechar a linha; está tudo montado, no mais ardiloso esquema... Quando, do nada, as pedras começam a cair mais rápido e tu coloca aquele "L" desgraçado no lugar errado porque não deu tempo de virar no jeito certo. O jogo nunca termina porque todo mundo se acha esperto o suficiente para montar trocentas linhas, esperando apenas a pedra certa, quando, na verdade, estão apenas postergando o fracasso. Tetris deveria ser matéria obrigatória em todas as séries do ensino fundamental: ao invés de ficar dizendo pra criança "eu sei que ainda é sábado, mas faça o tema" e toda aquele discurso de "não deixe para a última hora", jogue um Tetris na mão do fedelho e, sempre que a tela encher, grite "é o que acontece quando se leva tudo nas coxas!".
Não somente na escola, mas durante todo o processo de descoberta do mundo, Tetris poderia ser útil. Como explicar a morte do vovô? Ajoelhe-se ao lado do infante e diga "as pedras preencheram a tela do vovô...". Se ele já tomou um Game Over no jogo (ou seja, se já apertou um botão no Tetris), pode ter certeza que ele vai balançar a cabeça e responder: -acho que sei como isso aconteceu.
Uma das razões para terem sido vendidas 125 milhões de cópias (número tirado da Wikipedia, a qual não conta os minigames de camelô nem as versões clones perdidas na net) é o fato de uma penca de japoneses terem comprado, no mínimo, uma cópia quando foi lançada a versão para gameboy na década de 80. Quando cansavam de Tetris, jogavam fora o console portátil porque este já não tinha mais utilidade. O sucesso, contudo, é compreensível: quando se é uma criança de 10 anos e o objetivo é estudar 10 horas por dia... essa pessoa vê o Tetris e pensa "é como se tivessem feito um jogo sobre a minha vida". Entretanto, ainda não ficou claro para mim se o jogo impediu ou incentivou as corriqueiras ondas de suicídio no arquipélago asiático.
Na vida é a mesma coisa: todo mundo sempre tem uma, duas ou três linhas engatilhadas, só esperando a pedra certa. Se Tetris existisse há 5 mil anos, Sun Tzu não escreveria "A Arte da Guerra"; mas "Como chegar ao Level 40 no Tetris". Nostradamus teria feito apenas profecias sobre pedras/meteoros caindo do céu e a II Guerra não teria acontecido, porque Hitler estaria empenhado em traduzir para o alemão o "Como chegar ao Level 40", obra mais famosa de Sun Tzu.
Não somente na escola, mas durante todo o processo de descoberta do mundo, Tetris poderia ser útil. Como explicar a morte do vovô? Ajoelhe-se ao lado do infante e diga "as pedras preencheram a tela do vovô...". Se ele já tomou um Game Over no jogo (ou seja, se já apertou um botão no Tetris), pode ter certeza que ele vai balançar a cabeça e responder: -acho que sei como isso aconteceu.
Uma das razões para terem sido vendidas 125 milhões de cópias (número tirado da Wikipedia, a qual não conta os minigames de camelô nem as versões clones perdidas na net) é o fato de uma penca de japoneses terem comprado, no mínimo, uma cópia quando foi lançada a versão para gameboy na década de 80. Quando cansavam de Tetris, jogavam fora o console portátil porque este já não tinha mais utilidade. O sucesso, contudo, é compreensível: quando se é uma criança de 10 anos e o objetivo é estudar 10 horas por dia... essa pessoa vê o Tetris e pensa "é como se tivessem feito um jogo sobre a minha vida". Entretanto, ainda não ficou claro para mim se o jogo impediu ou incentivou as corriqueiras ondas de suicídio no arquipélago asiático.
Na vida é a mesma coisa: todo mundo sempre tem uma, duas ou três linhas engatilhadas, só esperando a pedra certa. Se Tetris existisse há 5 mil anos, Sun Tzu não escreveria "A Arte da Guerra"; mas "Como chegar ao Level 40 no Tetris". Nostradamus teria feito apenas profecias sobre pedras/meteoros caindo do céu e a II Guerra não teria acontecido, porque Hitler estaria empenhado em traduzir para o alemão o "Como chegar ao Level 40", obra mais famosa de Sun Tzu.
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