segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Procura-se...

Sente que a vida está parada? Que as coisas poderiam ser mais apimentadas? Então imagine o seguinte anúncio: "procuro inimigos dedicados e raivosos para relação casual ou duradoura. Os candidatos devem ter conhecimento básico de vilania e experiência em puxação-de-tapete. Interessados, ligar para ...".
Há muitos preconceitos em relação a inimizades. Alguns dizem que faz mal... Bobagem! Alguns dos relacionamentos mais longos da sua vida podem começar ou terminar em inimizades. Entretanto, precisa ser alguém a quem valha a pena importunar, uma pessoa que também tenha um bom nível de inteligência preferencialmente. Na verdade, talvez seja tão difícil escolher um "melhor inimigo" quanto achar a pessoa com quem casar. Em alguns casos de sorte, a pessoa com quem se casa é justamente sua futura maior inimiga.
A inimizade vai muito além de uma simples troca de insultos. Na realidade, bons inimigos ofendem-se muito menos que amigos comuns e podem até dar significado para a vida um do outro. Pense: o que aconteceria com o Tom, se ele realmente devorasse o Jerry? Qual foi a reação do Senna quando o Prost aposentou-se de vez em '94? (Para quem não sabe dessa, Ayrton mandou mensagens públicas de saudade, além de telefonar para a casa de Alain, convidando-o para voltar para a F1, alegando sentir-se desmotivado).
É difícil achar um Jerry, um Prost, um Lex Luthor, mas se a vida te dá limões, esfregue nos olhos dela e talvez algum inimigo que preste surja. Talvez, neste momento, em algum cantinho desse mundo, algum filho da puta esteja doido para ferrar alguém e esse felizardo pode ser você. Não custa nada acender uma vela pra Santo Antônio, custa?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pense no maior wannabe ou poser, que você conheça (aviso: a experiência pode causar náuseas). Antes que você sinta aquele impulso assassino, saiba que, infelizmente, essa pessoa é um mal necessário ao mundo. O wannabe é maravilhoso: o cara sabe que não é tão bom quanto o original, mas passa a vida tentando convencer os outros disso, nunca desencorajado pela falta de sucesso. Mais do que um mero produto do Paraguai, ele é o 1,99 humano.
Naturalmente, a música traz muita inspiração (leia-se: sede por plágio), mas quando o diabo inventou os video clips, a coisa desandou de vez. Falsos roqueiros, pseudo metaleiros e punks de vitrine proliferaram e tornaram-se capazes de, até mesmo, forjar uma revolta contra o mundo, contra o sistema capitalista e contra o Sistema Solar, de forma tão verossímil quanto o orgasmo de uma atriz pornô.
Toda réplica é um enorme tributo ao original; contudo, se todos fossem originais, não teria graça. Num mundo onde todo mundo é um Da Vinci, qual seria o valor da arte? Graças aos falsecas, podemos ter orgulho de sermos originais e, ao mesmo tempo, não termos vergonha de "nos inspirarmos" (porque os outros copiam, nós "nos inspiramos") no Da Vinci, no Gandhi, na Sasha (aquela literata alfabetizada em inglês), etc.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Sempre na história deste país

"Como eram burros esses romanos" é o que todos pensam quando tomam conhecimento da antiga política do Pão e Circo. De fato, o povo romano, como um todo, não era dos mais inteligentes; o problema é que os demais povos não se saíram melhores. A questão aqui não se explica pela matemática: não se pode somar a QI (Quantidade de Ignorância) de cada indivíduo e dividir pelo número de habitantes para se achar a QI média. É algo mais universal, mais filosófico, mais cultural: algo que talvez a engenharia genética nos explique quando, ao terminar de mapear o código genético, descobrir que somos programados para seguir qualquer porcaria assim que nos aglomeramos em um grupo que entre na casa das dezenas.
Na realidade, o ser humano em si é fantástico! Tanto é que, de alguma forma, todo ser humano é mais perspicaz que a média. Um diálogo com uma pessoa que tenha uma boa visão sobre política pode render grandes trocas de conhecimento. Uma conversa com algum fanático por futebol também. Entretanto, coloque-as em um grupo de seus semelhantes e veja como comporta-se um partido ou uma torcida organizada. Pensando melhor: por favor, não faça isso!
A pior parte é que todo indivíduo faz parte de algum grupo de inúmeras formas. E assim nasce o "povo", este leviatã que é a causa e a solução para todos os problemas dele mesmo. O monstro que coloca na liderança outras aberrações como Sarney, Calheiros, Collor e outros monstrengos menos famosos. Quando alguém é eleito, pode-se ter a certeza (quase sempre) de que este não era a melhor opção, pois "somos" programados para ouvir funk, chorar por futebol e eleger porcaria. O Lula, por exemplo, não sabia que o mensalão existia e defende o Sarney porque pensa que ele é bonzinho... Será que ele é burro como nós?
Os brasileiros poderiam ser filhos de Deus, mas não: o DNA acusa a paternidade de Romário. Isso explica porque o Brasil julga-se esquecido, faminto e com a pensão atrasada. "Nós" pedimos por isso quando elegemos como templo o estádio e glorificamos aquele que faz mais gols. Apesar dos pesares, não há necessidade para tristeza; os benefícios do Bolsa Família aumentaram e vai ter copa em 2014! "Como eram burros esses romanos".

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O que começou com uma inocente, porém letal, faca Ginsu evoluiu para algo que, literalmente, nos atormentará na pós vida. Para quem não lembra das facas Ginsu, isso foi uma alusão ao infomercial dos distantes anos 90, o que criou o espaço necessário para propagandas de 28 aparelhos de abdominais e métodos rápidos de emagrecimento - sendo que a eficácia destes nos tornou o povo mais atlético, forte e saudável do planeta, como se pode ver nas ruas.
Contudo, o infomercial não abriu apenas a ponte entre nosso mundo e as bugigangas alienígenas: a partir dessa mesma época, executivos de grandes corporações concluíram que o espaço na televisão não era o suficiente para "educar" o público, o que levou à criação e ao desenvolvimento do nosso amado telemarketing como o conhecemos.
O que poderia haver depois? Como infernizar ainda mais a vida de pobres cidadãos? Não há mais como. Não há grill, plano telefônico, cinta elástica, pacote de TV à cabo, meia vivarina ou qualquer outro produto que já não tenha sido apresentado. Pensamos, com razão, que já vimos tudo em vida. Entretanto, não podemos vencê-los.
Na tarde do dia 29 de Julho de 2009, em Porto Alegre, tomo conhecimento de um novo e bizarro serviço: uma espécie de tele-velório. É bom todo mundo ler novamente para ter certeza de que entenderam. O tele-velório, pelo que entendi, funciona da seguinte forma: paga-se parcelas mensais, como se fosse um seguro de vida, para que se tenha um funeral pago e, de brinde, ganha três anos de cemitério de graça, na faixa, free.
Após negar educadamente, alegando ser jovem demais para considerar o "investimento", a atendente insiste: "para morrer, basta estar vivo, senhor". Imerso em um dilúvio bizarro vindo da linha telefônica, fiquei atônito, olhando para os lados, imaginando se era a Dona Morte, personagem do Maurício de Souza, do outro lado da linha. Após uma segunda recusa, a atendente despede-se, mas com a entonação entusiasmada de uma brasileira que não desiste nunca (a mesma entonação que manteve durante toda a chamada, diga-se de passagem).
Isso, na verdade, não foi bem um post, mas uma espécie de relato de alguém que, ingenuamente, sempre achou que venceria o telemarketing. Só fico imaginando o "lucro" que essa empresa teria se estivesse oferecendo serviços à força aérea japonesa na segunda guerra.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Tetris & Life

Tu sempre fica ali, esperando "aquela" pedra pra fechar a linha; está tudo montado, no mais ardiloso esquema... Quando, do nada, as pedras começam a cair mais rápido e tu coloca aquele "L" desgraçado no lugar errado porque não deu tempo de virar no jeito certo. O jogo nunca termina porque todo mundo se acha esperto o suficiente para montar trocentas linhas, esperando apenas a pedra certa, quando, na verdade, estão apenas postergando o fracasso. Tetris deveria ser matéria obrigatória em todas as séries do ensino fundamental: ao invés de ficar dizendo pra criança "eu sei que ainda é sábado, mas faça o tema" e toda aquele discurso de "não deixe para a última hora", jogue um Tetris na mão do fedelho e, sempre que a tela encher, grite "é o que acontece quando se leva tudo nas coxas!".
Não somente na escola, mas durante todo o processo de descoberta do mundo, Tetris poderia ser útil. Como explicar a morte do vovô? Ajoelhe-se ao lado do infante e diga "as pedras preencheram a tela do vovô...". Se ele já tomou um Game Over no jogo (ou seja, se já apertou um botão no Tetris), pode ter certeza que ele vai balançar a cabeça e responder: -acho que sei como isso aconteceu.
Uma das razões para terem sido vendidas 125 milhões de cópias (número tirado da Wikipedia, a qual não conta os minigames de camelô nem as versões clones perdidas na net) é o fato de uma penca de japoneses terem comprado, no mínimo, uma cópia quando foi lançada a versão para gameboy na década de 80. Quando cansavam de Tetris, jogavam fora o console portátil porque este já não tinha mais utilidade. O sucesso, contudo, é compreensível: quando se é uma criança de 10 anos e o objetivo é estudar 10 horas por dia... essa pessoa vê o Tetris e pensa "é como se tivessem feito um jogo sobre a minha vida". Entretanto, ainda não ficou claro para mim se o jogo impediu ou incentivou as corriqueiras ondas de suicídio no arquipélago asiático.
Na vida é a mesma coisa: todo mundo sempre tem uma, duas ou três linhas engatilhadas, só esperando a pedra certa. Se Tetris existisse há 5 mil anos, Sun Tzu não escreveria "A Arte da Guerra"; mas "Como chegar ao Level 40 no Tetris". Nostradamus teria feito apenas profecias sobre pedras/meteoros caindo do céu e a II Guerra não teria acontecido, porque Hitler estaria empenhado em traduzir para o alemão o "Como chegar ao Level 40", obra mais famosa de Sun Tzu.