Tu sempre fica ali, esperando "aquela" pedra pra fechar a linha; está tudo montado, no mais ardiloso esquema... Quando, do nada, as pedras começam a cair mais rápido e tu coloca aquele "L" desgraçado no lugar errado porque não deu tempo de virar no jeito certo. O jogo nunca termina porque todo mundo se acha esperto o suficiente para montar trocentas linhas, esperando apenas a pedra certa, quando, na verdade, estão apenas postergando o fracasso. Tetris deveria ser matéria obrigatória em todas as séries do ensino fundamental: ao invés de ficar dizendo pra criança "eu sei que ainda é sábado, mas faça o tema" e toda aquele discurso de "não deixe para a última hora", jogue um Tetris na mão do fedelho e, sempre que a tela encher, grite "é o que acontece quando se leva tudo nas coxas!".
Não somente na escola, mas durante todo o processo de descoberta do mundo, Tetris poderia ser útil. Como explicar a morte do vovô? Ajoelhe-se ao lado do infante e diga "as pedras preencheram a tela do vovô...". Se ele já tomou um Game Over no jogo (ou seja, se já apertou um botão no Tetris), pode ter certeza que ele vai balançar a cabeça e responder: -acho que sei como isso aconteceu.
Uma das razões para terem sido vendidas 125 milhões de cópias (número tirado da Wikipedia, a qual não conta os minigames de camelô nem as versões clones perdidas na net) é o fato de uma penca de japoneses terem comprado, no mínimo, uma cópia quando foi lançada a versão para gameboy na década de 80. Quando cansavam de Tetris, jogavam fora o console portátil porque este já não tinha mais utilidade. O sucesso, contudo, é compreensível: quando se é uma criança de 10 anos e o objetivo é estudar 10 horas por dia... essa pessoa vê o Tetris e pensa "é como se tivessem feito um jogo sobre a minha vida". Entretanto, ainda não ficou claro para mim se o jogo impediu ou incentivou as corriqueiras ondas de suicídio no arquipélago asiático.
Na vida é a mesma coisa: todo mundo sempre tem uma, duas ou três linhas engatilhadas, só esperando a pedra certa. Se Tetris existisse há 5 mil anos, Sun Tzu não escreveria "A Arte da Guerra"; mas "Como chegar ao Level 40 no Tetris". Nostradamus teria feito apenas profecias sobre pedras/meteoros caindo do céu e a II Guerra não teria acontecido, porque Hitler estaria empenhado em traduzir para o alemão o "Como chegar ao Level 40", obra mais famosa de Sun Tzu.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
XD~ hahuahuauhahuhuahua
ResponderExcluirpreciso praticar mais =x~
Kari
Gostei dessa porra, cezar, mete ficha!!!
ResponderExcluirIsso sim que é um pensamento riquíssimo sobre as coisas do nosso tempo. Excelente sacada, devo reconhecer, pena dela ter me deixado deprimido (mas acho que também faz parte da mensagem hehe). Enfim, ao invés disso, vou tentar ficar com o outro lado da moeda e levar comigo a lição do tetris para tentar melhorar as coisas, pode deixar ^^.
ResponderExcluirAbração.